sábado, 21 de Novembro de 2009

Ao Tejo

Tenho os olhos encharcados
de Tejo
onde existe um traço
que se alonga em horizonte
pelos remadores desportivos.
As velas dos barquitos de lazer
promovem a paz domingueira.
A caravela impõe o passado.


Que não me doa o silêncio
pois cresce por mim inquieto
ao descer com o vento as escarpas
das memórias de velhos sentimentos.

Da Trafaria guardo na memória
as luzinhas de ontem à noite
a dançar vaidosas ao espelho do rio
parecendo os ledes de um gira-discos
que toca freneticamente na sala.
Agora, ainda dorme nua
naquela praia que segura a foz.



Que não me doam os olhos
pois levo-os carregados de Tejo
até às terras altas, onde o deixo correr
em todas as marés dos meus pensamentos.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

amizade






no poisar da tua mão na minha
atravesso florestas e mares
onde a amizade é o caminho

as palavras são sempre o sol
que aquecem os olhares,
por vezes cansados e tristes

do teu sorriso, trago o abraço
que me preenche a vida
pela sinceridade
com que me abres o teu peito






(para Ti, amiga do peito)

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Notícia


Foi encontrada numa praia do norte uma mancha de silêncio numa duna. À volta estavam espalhados pedaços de memórias cravados de saudades. O mar, coberto de luto, recolhera todas as ondas. Naufragavam, por toda a praia, lágrimas que pareciam perdidas. Perto do local havia um peito aberto e seco. Fontes próximas disseram que viram um coração de pedra que corria louco tentando agarrar a brisa que vinha de longe, mas que com o luar desaparecera no céu.
Um caso no mínimo insólito até porque nesse dia a bandeira era um poema, pelo que, não seria de esperar o grito num momento como este.

Antes do fecho da redacção soube-se que o silêncio ainda está vivo e que se encontra em local seguro à espera do tipo de calor compatível, que segundo consta, só existe num único abraço humano.

sábado, 7 de Novembro de 2009

Foi assim em Anadia com o Luis Ferreira e "Momentos"

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Perdoa-me

Perdoa-me se o meu tempo não tem ponteiros.
O passear dos meus versos pelo teu corpo,
a ousadia de fazer do teu olhar a minha luz.
Perdoa-me o verbo amar,
o poema feito para te encantar.
Rego com ansiedade as minhas mãos,
precisava que crescessem e florissem
em palavras de todas as cores.
Queria um mundo em arco-íris,
um regalar de olhos para um amanhã sorridente.
Vejo-te crescer num oceano próspero
e o meu peito brilha,
pelas palavras que deixas no miolo
das folhas encharcadas de sentimentos.
Perdoa-me por mergulhar, sempre nua,
na onda do teu sorriso.
Sei que te inquieto, sei que te provoco,
mas quero muito o teu abraço forte de mar.
Sorvo dos teus lábios o néctar das melhores castas
e embriago-me pelo momento,
colando-me ao teu respirar.
Redondas são as pedras da praia,
redondo é o silêncio, o mundo,
redondo é o sentimento cristalino,
um afecto desmedido e sério.
(passa as mãos na minha voz e faz-me tua)
Perdoa-me se o meu tempo não é igual ao teu.

Perdoa-me,
ao final da tarde,
porque agora não tenho tempo de te deixar de amar.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Luis Ferreira e "Momentos" em Anadia


(clique na imagem para ver melhor)

O Luis é um amigo de longa data, é com muito gosto que o recebo e ao seu novo livro " Momentos" no dia 7 de Novembro aqui na Biblioteca de Anadia.

Eu vou lá estar, espero encontrar-vos também (sim, claro que vai haver espumante)

Abraço

( sitío do Luis : http://marsonhos.blogspot.com/ )

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Breve

Trago segredos nas pontas dos dedos
e não tenho corpo para os deixar.

Trago dunas de memórias inquietas
e o horizonte não chega para as acalmar.

É tão breve
a essência do mundo no infinito do teu olhar.
É tão grande
o meu peito quando se abre dentro da palavra.

Tocas-me no silêncio
que a minha boca encerra
e beijas-me subtilmente o desejo de te ter.

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

A cada ciclo da lua


Deste sangue que me escorre da alma,
desta dor que se enlaça à carne,
provocando-a,
devorando-a…
Fica um segmento de vida
pendurado num tempo que jamais retorna.

Palpita-me que o pensamento fugiu
à vontade de ficar.
Que as cordas
que tocam a voz aposentaram-se
cansadas de gemidos silenciosos
e de gritos que se recolheram
à chegada da dor.

Para que não deixe o corpo morrer
injecto-me de palavras
que me enchem o peito de ar
e brilho nos olhos.
Só o oxigénio de um poema me faz renascer.
Só o chão feito de roldanas aguçadas
faz mover as frases compostas de esperança,
não esmorecendo o sorriso.

Por vezes também vens, atenuando-me a dor
ao embriagar-me os sentidos.

Vou rasgando devagar o tempo.
Vou alimentando aos poucos
o futuro que já se adivinhou,
tentando me convencer que o sol vai lá estar,
mesmo em céu encoberto e frio.

Cego-me sempre,
ao nascerem-me lágrimas rosadas, a cada ciclo da lua.

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Foi assim em Setúbal






E assim foi, no dia 3 de Outubro no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, levámos os 70 poemas por um sorriso e trouxemos as caixas cheias de sorrisos e a alma cheia de calor.

Tudo pelos jovens da APPCDM de Setúbal, tudo por um viver melhor e pela amizade.

Quero deixar um beijo muito especial, ao António, ao meu pai, à minha mãe, à Nanda e à Susana Moura. Sem eles nada do que se passou neste dia seria possível.
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Para quem quiser comprar o livro custa 5€ e reverte por inteiro para a APPCDM de Setúbal, podem-me contactar directamente para vandapaz@sapo.pt e eu mando por correio.
Com um simples gesto podemos fazer nascer muitos sorrisos.
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Abraço

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Não digas nada


Às vezes
Não é preciso dizer nada
Basta a húmidade do olhar
O toque das tuas mãos
Em segredo silencioso
E quente
Talvez
Quando nascer a palavra
Já não precisará de ser dita
Talvez
Quando adormecer o sentimento
Ela fará todo o sentido
Não digas nada
Encosta os teus lábios aos meus
E pensa baixinho
O que não precisas dizer

domingo, 27 de Setembro de 2009

70 poemas por um sorriso



Para ver melhor clique na imagem

O meu amigo e escritor António Paiva mostra, mais uma vez, a sensibilidade para os problemas das crianças e jovens do nosso país lançando um livro em que a totalidade da receita reverte a favor da APPCDM de Setúbal. Um projecto que foi por ele proposto a várias pessoas e entidades que, desde logo, aderiram com vontade e orgulho. A capa tem por base uma pintura a óleo sobre tela feita propositadamente para o efeito pela pintora Helena Paz, amiga do autor e minha mãe. Tendo as empresas Lusis, Lda as Edições REDITEP, Lda e a Linkprint Gráfica, Lda dado corpo ao livro e contribuido, também, para que este projecto se realizasse.

É com muito orgulho que estarei presente no dia 3 de Outubro para que possa sentir os sorrisos dos meninos e jovens da APPCDM de Setúbal.
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Espero encontrar-vos por lá
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Abraço
.
Vanda Paz

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Amo-te

Nas Primaveras do teu sorriso
Balanço-me sem medo do tempo
Não existem ponteiros no meu peito
Só o bater de um coração
Que chama por ti, sem pressas

Espero, paciente
Que me dispas o silêncio
E que te entregues
Aos murmúrios do meu corpo,
Ferida aberta de paixão
Que afago suavemente
Com a palma da minha mão

A vindima é perfeita
Quando colho o brilho do teu olhar
Fruto maduro e cuidado
Que eu deixo, em mim, fermentar
Embriagando o desejo, sufocando a saudade
Para que possa sorrir sem deixar de sonhar

Em breve, provaremos o vinho novo.

Porque o Luis merece


"O autor, Luís Ferreira e a Temas Originais, têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro "Momentos…" a ter lugar na sala Green Room do Freeport, Alcochete no próximo dia 26 de Setembro pelas 17:00.

Obra e autor serão apresentados pela Drª Carmo Miranda Machado e esta sessão contará com a actuação do Trio Opus Musique e da SamariTuna.

Tuna Feminina da Universidade Lusófona.

Se puder não falte.


Luis Ferreira"

sábado, 19 de Setembro de 2009

Tomara eu




Tomara eu, poder beijar o sol,
Incendiar os ventos, morder o anzol.

Ter a coragem de olhar a lua
Esquecer as palavras do peito… e ser tua.

Tomara eu, beber a aurora
Misturar-me na terra, trazer o outrora.

Mergulhar sem medo em mar agitado
Esquecer-me de mim… sentir o pecado.

Tomara eu… deixar de ser…

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Acabou

De repente
Somos ninguém

Porque
Para quem éramos
Para quem acreditávamos

Deixamos de o ser

De alma rasgada
De peito dorido
Vou
… ao encontro do nada…

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Um livro por uma causa




Para ver melhor clique na imagem

"Queridos amigos,
Deixo-vos o convite para a apresentação do meu livro de poesia "Canteiros de Esperança", no dia 26 de Setembro, pelas 16 horas, na Sociedade Filarmónica Humanitária, em Palmela, cuja receita reverte na íntrega para a construção do Lar Residencial da APPACDM de Setúbal.Desta forma conto com a vossa simpática presença e caso não seja possível estarem presentes e queiram juntar-se a mim neste contributo para uma causa tão meritória, podem adquirir o livro através da Editora "Temas Originais":http://www.temas-originais.pt/autores/fernanda_esteves.htm
Um beijo de carinho e amizade.
Nanda "
Anexar ficheiro:

domingo, 13 de Setembro de 2009

Outros tempos


É pelas arcadas da vila
que respiro o ar de outrora.
Sinto-me mulher cigana
num espaço que não é meu
mas que me fascina e me encanta.
Escapam-se-me as raízes
que procuram saciar a sede
nesta terra banhada de frutos.
São as sombras do destino
que me entregam a este anseio.
É a magia das vontades
que me calam o pensar com um sorriso.
Derrete-se, aos poucos,
aquela velha vela dourada.
Apaga-se a chama num sopro
e de repente o tudo já é nada.
A luz, só a que nasce dos meus olhos,
tudo o resto é paisagem em aguarela.

O passado, tornou-se um presente desejado,
deixando o futuro entregue ao abraço prometido.

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Lágrima


Nasces
do crepúsculo
do meu olhar.
Lanças-te
pela escarpa,
triste,
da minha face
e vais…
…ao encontro
da enseada da memória
onde te aninhas
e fortaleces.

Podes luzir
no silêncio
ou rebentares
na escuridão
do sentimento.

As mãos acolhem-te
porque a alma ausentou-se,
por tempo incerto.

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Ironia



É no jejuar
Que se arregaça
A lentidão dos olhos
Que se acalmam
Os suspiros inférteis

O ponto final
É o princípio da seca
De um rio
Que corria ardente
Mas em saudosa
Massa encefálica
Lenta, triste e doente
Onde a foz
É sempre no abraço ausente

quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Celebração

Em noite amachucada de branco
Onde a poesia desmaiava
No deserto do meu corpo,
Nasceu um rio de silêncio
Que venero até hoje

O caminho do tempo
Está coberto de rosas brancas
Que soltam aromas avermelhados
Quando o desejo chama
E se cobre
Com o sabor da tua voz

Refresco o meu instinto
Com a amizade
Que entregas em ondas suaves
Que rebentam
No meu abraço

Sinto o rodopiar das nossas almas
Que dançam algures
Entre a brisa do mar e o luar
Entre emoções tão breves
Como o tocar dos teus lábios nos meus,
O fechar dos teus olhos…

Guardo sempre a tua seiva
Que me alimenta
Até ao próximo concerto
Onde nasce a melodia do prazer
Quando tocas o meu corpo
Feito harpa de murmúrios,
Húmidos

Hoje,
Sou poema,
Porque sou sangue
Terra
Mar
Sol
Noite
Luar
Sou solidão eterna
No sorriso do teu olhar